IX - Guerrinhas

Fomos os três para o meu quarto, e lá ficamos conversando. Homem quando está na companhia de amigos homens só fala besteira. É uma conversa essencial na vida de qualquer um. Falar besteira soa como uma válvula de escape, um bom remédio para a alma. Mas quando o homem está conversando com mais de uma mulher, aquilo deixa de ser uma conversa para ser um jogo. Poderia comparar ao voley. A bola está sempre no alto, quem cortar primeiro, ganha. Mas logo a bola está no alto de novo. Era óbvio que as duas para viajarem “sozinhas” para uma casa de veraneio estariam obrigatoriamente solteiras. Sou um cara que como outro qualquer, tenho interesse em qualquer mulher que esteja funcionando perfeitamente, mas não é por isso que vou trata-las bem. Das vezes que isso fiz, me lasquei. Compensando também que das vezes que isso fizera, estava apaixonado.
Então continuou aquele papinho de “um querendo derrubar o outro”, só que em pleno ato de covardia, me vi cercado por duas dobermans, me atacando com perguntas.
Sempre debochado, comecei a implicar primeiro com as tradicionais piadinhas machistas, o que é um ponto legal para se deixar uma mulher bolada. Dificilmente uma garota te responde com bom humor a essas questões, Elas procuram achar um ponto fraco, ou alguma coisa que impeça você de soltar a próxima espetada. Partindo desse principio, quis dar continuidade ao papo, mas estava difícil. Então como qualquer bom general, foquei no mais fraco, no caso, a mais fraca. Impliquei com a Carol como um irmão mais novo, as mulheres gostam disso até certo ponto. Dizia não entender o fato de uma mulher tão bonita quanto ela estar solteira. Foi a vez de ver que tudo o que ela criticara de meus artifícios machistas era apenas falta de oportunidade para ela usar os artifícios feministas ao inocular o tradicional “homem nenhum presta”.
Tudo o que ela iria falar, era exatamente o que eu mesmo havia dito poucos minutos antes, só que apontado para o sexo feminino. O papo foi deixando de ser uma troca de provocações saudáveis para um jogo de inteligência aonde o que ficasse devendo a ultima resposta sairia perdedor. De que eu não sei.
Para aquilo não virar, ou melhor dizendo, continuar uma guerrinhas dos sexos, deixei que ela fizesse o que toda mulher gosta de fazer... falar.
Usei uma técnica infalível. Já que ela citou que homem não prestava, eu com cara de santo perguntei por que? Aí mane, ela mandou ver.
Começou a falar horrores, diversas sacanagens feitas por nós. Fazia parte do plano uma cara de debochado, e um sorriso de canto de boca. Não sei se era tédio pelo papo, ou por ficar de bico fechado esse tempo todo, a Nath falou que ia dormir, e foi para o quarto dela. Geralmente a amiga diz que vai junto, mas não foi o que aconteceu nesse caso.
Ficamos ali mais um tempo, e eu sempre rebatendo com gracinhas as coisas que ela dizia, e ela literalmente me rebatendo com tapinhas de pessoa sem graça com a situação.
No melhor espírito do vamos ver o que dá, segurei firme a mão dela naquele que seria o próximo tapinha. Ela me olhou com cara de desconfiança, e eu olhei com cara de confiança. Avancei 99%, o resto... foi com ela.