VIII - Discos Voadores

No dia seguinte, logo cedo (por volta de 13h) a galera começou a dar sinal de vida. Um cheiro de ovo frito envolvia a casa, era sinal de café da manhã no horário de almoço. Não é machismo nem tradição, mas é fato que as mulheres assumiram o comando da cozinha, podendo o ingresso para nós homens somente para pegar garrafas de cerveja. Ficamos na varanda da casa esperando a mangonga ficar pronta, bebendo e conversando sobre qualquer coisa. Parecíamos espiões, todos com óculos escuros. Obviamente se montou uma votação sobre a presença feminina na casa. Quem era a mais gostosa, a mais safada, a mais isso e aquilo. Opiniões que mais tarde confirmaríamos, não necessariamente na ordem da votação. Continuamos bebendo e batendo papo por mais um tempo, até o rango ficar pronto. Almoçamos e o Ricardo disse que um amigo tinha uma lancha, que poderia emprestar pra gente. Fomos até a casa do cara, que tinha o sugestivo apelido de “doideira”. Parecia um cara legal, tranqüilo, daqueles que não esquentaria a cabeça se decidíssemos regravar o titanic com a lancha dele, que na verdade era do pai.
Agendamos com o próprio arraes da lancha, e marcamos uma saída, pro dia seguinte bem cedo, dessa vez, bem cedo mesmo.
Chegou a noite e a galera partiu para uma boate. Estava cansado, preferi ficar na casa, assim como mais quatro pessoas. Entre essas quatro cabeças o Marcelo e a Nanda, que por sinal fez um macarrão que matou a fome da áfrica. Ia passar um filme legal de guerra na televisão, mas como o sinal lá na casa era tão bom quanto cerveja quente, ficamos todos na piscina mesmo. Os assuntos eram diversos, até que o Marcelo começou a falar sobre discos voadores e coisas do gênero. Parecia que ela sabia que sempre fui medroso. Não posso chamar de medo, mas sei lá, tanto assunto legal pra falar, vai falar logo de disco voador?
Não tenho uma opinião formada sobre vida em outro planeta, e também não quero ter. Só espero que se em algum lugar desse universo existe vida inteligente, não seja “tão” inteligente quanto a nossa. Pra falar verdade, até acredito um pouco que exista vida inteligente fora da terra. Por dois motivos. O primeiro é que na terra não existe, e o segundo que pelo fato dos extraterrestres serem inteligentes, nunca deram as caras por aqui.
Não ligo, mas se aquela conversa tomasse um rumo para fantasmas e coisas parecidas teria que pedir para me retirar. O papo não rendeu, mas já estava todo engelhado, fui até a cozinha beliscar alguma coisa. Não fiquei lá dois minutos e apareceram a Natasha e a Ana Carolina, as outras duas pessoas que tinham ficado. Eu bobo, ainda perguntei sobre o Marcelo e a Nanda.