IX - Guerrinhas
Fomos os três para o meu quarto, e lá ficamos conversando. Homem quando está na companhia de amigos homens só fala besteira. É uma conversa essencial na vida de qualquer um. Falar besteira soa como uma válvula de escape, um bom remédio para a alma. Mas quando o homem está conversando com mais de uma mulher, aquilo deixa de ser uma conversa para ser um jogo. Poderia comparar ao voley. A bola está sempre no alto, quem cortar primeiro, ganha. Mas logo a bola está no alto de novo. Era óbvio que as duas para viajarem “sozinhas” para uma casa de veraneio estariam obrigatoriamente solteiras. Sou um cara que como outro qualquer, tenho interesse em qualquer mulher que esteja funcionando perfeitamente, mas não é por isso que vou trata-las bem. Das vezes que isso fiz, me lasquei. Compensando também que das vezes que isso fizera, estava apaixonado.
Então continuou aquele papinho de “um querendo derrubar o outro”, só que em pleno ato de covardia, me vi cercado por duas dobermans, me atacando com perguntas.
Sempre debochado, comecei a implicar primeiro com as tradicionais piadinhas machistas, o que é um ponto legal para se deixar uma mulher bolada. Dificilmente uma garota te responde com bom humor a essas questões, Elas procuram achar um ponto fraco, ou alguma coisa que impeça você de soltar a próxima espetada. Partindo desse principio, quis dar continuidade ao papo, mas estava difícil. Então como qualquer bom general, foquei no mais fraco, no caso, a mais fraca. Impliquei com a Carol como um irmão mais novo, as mulheres gostam disso até certo ponto. Dizia não entender o fato de uma mulher tão bonita quanto ela estar solteira. Foi a vez de ver que tudo o que ela criticara de meus artifícios machistas era apenas falta de oportunidade para ela usar os artifícios feministas ao inocular o tradicional “homem nenhum presta”.
Tudo o que ela iria falar, era exatamente o que eu mesmo havia dito poucos minutos antes, só que apontado para o sexo feminino. O papo foi deixando de ser uma troca de provocações saudáveis para um jogo de inteligência aonde o que ficasse devendo a ultima resposta sairia perdedor. De que eu não sei.
Para aquilo não virar, ou melhor dizendo, continuar uma guerrinhas dos sexos, deixei que ela fizesse o que toda mulher gosta de fazer... falar.
Usei uma técnica infalível. Já que ela citou que homem não prestava, eu com cara de santo perguntei por que? Aí mane, ela mandou ver.
Começou a falar horrores, diversas sacanagens feitas por nós. Fazia parte do plano uma cara de debochado, e um sorriso de canto de boca. Não sei se era tédio pelo papo, ou por ficar de bico fechado esse tempo todo, a Nath falou que ia dormir, e foi para o quarto dela. Geralmente a amiga diz que vai junto, mas não foi o que aconteceu nesse caso.
Ficamos ali mais um tempo, e eu sempre rebatendo com gracinhas as coisas que ela dizia, e ela literalmente me rebatendo com tapinhas de pessoa sem graça com a situação.
No melhor espírito do vamos ver o que dá, segurei firme a mão dela naquele que seria o próximo tapinha. Ela me olhou com cara de desconfiança, e eu olhei com cara de confiança. Avancei 99%, o resto... foi com ela.
Então continuou aquele papinho de “um querendo derrubar o outro”, só que em pleno ato de covardia, me vi cercado por duas dobermans, me atacando com perguntas.
Sempre debochado, comecei a implicar primeiro com as tradicionais piadinhas machistas, o que é um ponto legal para se deixar uma mulher bolada. Dificilmente uma garota te responde com bom humor a essas questões, Elas procuram achar um ponto fraco, ou alguma coisa que impeça você de soltar a próxima espetada. Partindo desse principio, quis dar continuidade ao papo, mas estava difícil. Então como qualquer bom general, foquei no mais fraco, no caso, a mais fraca. Impliquei com a Carol como um irmão mais novo, as mulheres gostam disso até certo ponto. Dizia não entender o fato de uma mulher tão bonita quanto ela estar solteira. Foi a vez de ver que tudo o que ela criticara de meus artifícios machistas era apenas falta de oportunidade para ela usar os artifícios feministas ao inocular o tradicional “homem nenhum presta”.
Tudo o que ela iria falar, era exatamente o que eu mesmo havia dito poucos minutos antes, só que apontado para o sexo feminino. O papo foi deixando de ser uma troca de provocações saudáveis para um jogo de inteligência aonde o que ficasse devendo a ultima resposta sairia perdedor. De que eu não sei.
Para aquilo não virar, ou melhor dizendo, continuar uma guerrinhas dos sexos, deixei que ela fizesse o que toda mulher gosta de fazer... falar.
Usei uma técnica infalível. Já que ela citou que homem não prestava, eu com cara de santo perguntei por que? Aí mane, ela mandou ver.
Começou a falar horrores, diversas sacanagens feitas por nós. Fazia parte do plano uma cara de debochado, e um sorriso de canto de boca. Não sei se era tédio pelo papo, ou por ficar de bico fechado esse tempo todo, a Nath falou que ia dormir, e foi para o quarto dela. Geralmente a amiga diz que vai junto, mas não foi o que aconteceu nesse caso.
Ficamos ali mais um tempo, e eu sempre rebatendo com gracinhas as coisas que ela dizia, e ela literalmente me rebatendo com tapinhas de pessoa sem graça com a situação.
No melhor espírito do vamos ver o que dá, segurei firme a mão dela naquele que seria o próximo tapinha. Ela me olhou com cara de desconfiança, e eu olhei com cara de confiança. Avancei 99%, o resto... foi com ela.
VIII - Discos Voadores
No dia seguinte, logo cedo (por volta de 13h) a galera começou a dar sinal de vida. Um cheiro de ovo frito envolvia a casa, era sinal de café da manhã no horário de almoço. Não é machismo nem tradição, mas é fato que as mulheres assumiram o comando da cozinha, podendo o ingresso para nós homens somente para pegar garrafas de cerveja. Ficamos na varanda da casa esperando a mangonga ficar pronta, bebendo e conversando sobre qualquer coisa. Parecíamos espiões, todos com óculos escuros. Obviamente se montou uma votação sobre a presença feminina na casa. Quem era a mais gostosa, a mais safada, a mais isso e aquilo. Opiniões que mais tarde confirmaríamos, não necessariamente na ordem da votação. Continuamos bebendo e batendo papo por mais um tempo, até o rango ficar pronto. Almoçamos e o Ricardo disse que um amigo tinha uma lancha, que poderia emprestar pra gente. Fomos até a casa do cara, que tinha o sugestivo apelido de “doideira”. Parecia um cara legal, tranqüilo, daqueles que não esquentaria a cabeça se decidíssemos regravar o titanic com a lancha dele, que na verdade era do pai.
Agendamos com o próprio arraes da lancha, e marcamos uma saída, pro dia seguinte bem cedo, dessa vez, bem cedo mesmo.
Chegou a noite e a galera partiu para uma boate. Estava cansado, preferi ficar na casa, assim como mais quatro pessoas. Entre essas quatro cabeças o Marcelo e a Nanda, que por sinal fez um macarrão que matou a fome da áfrica. Ia passar um filme legal de guerra na televisão, mas como o sinal lá na casa era tão bom quanto cerveja quente, ficamos todos na piscina mesmo. Os assuntos eram diversos, até que o Marcelo começou a falar sobre discos voadores e coisas do gênero. Parecia que ela sabia que sempre fui medroso. Não posso chamar de medo, mas sei lá, tanto assunto legal pra falar, vai falar logo de disco voador?
Não tenho uma opinião formada sobre vida em outro planeta, e também não quero ter. Só espero que se em algum lugar desse universo existe vida inteligente, não seja “tão” inteligente quanto a nossa. Pra falar verdade, até acredito um pouco que exista vida inteligente fora da terra. Por dois motivos. O primeiro é que na terra não existe, e o segundo que pelo fato dos extraterrestres serem inteligentes, nunca deram as caras por aqui.
Não ligo, mas se aquela conversa tomasse um rumo para fantasmas e coisas parecidas teria que pedir para me retirar. O papo não rendeu, mas já estava todo engelhado, fui até a cozinha beliscar alguma coisa. Não fiquei lá dois minutos e apareceram a Natasha e a Ana Carolina, as outras duas pessoas que tinham ficado. Eu bobo, ainda perguntei sobre o Marcelo e a Nanda.
Agendamos com o próprio arraes da lancha, e marcamos uma saída, pro dia seguinte bem cedo, dessa vez, bem cedo mesmo.
Chegou a noite e a galera partiu para uma boate. Estava cansado, preferi ficar na casa, assim como mais quatro pessoas. Entre essas quatro cabeças o Marcelo e a Nanda, que por sinal fez um macarrão que matou a fome da áfrica. Ia passar um filme legal de guerra na televisão, mas como o sinal lá na casa era tão bom quanto cerveja quente, ficamos todos na piscina mesmo. Os assuntos eram diversos, até que o Marcelo começou a falar sobre discos voadores e coisas do gênero. Parecia que ela sabia que sempre fui medroso. Não posso chamar de medo, mas sei lá, tanto assunto legal pra falar, vai falar logo de disco voador?
Não tenho uma opinião formada sobre vida em outro planeta, e também não quero ter. Só espero que se em algum lugar desse universo existe vida inteligente, não seja “tão” inteligente quanto a nossa. Pra falar verdade, até acredito um pouco que exista vida inteligente fora da terra. Por dois motivos. O primeiro é que na terra não existe, e o segundo que pelo fato dos extraterrestres serem inteligentes, nunca deram as caras por aqui.
Não ligo, mas se aquela conversa tomasse um rumo para fantasmas e coisas parecidas teria que pedir para me retirar. O papo não rendeu, mas já estava todo engelhado, fui até a cozinha beliscar alguma coisa. Não fiquei lá dois minutos e apareceram a Natasha e a Ana Carolina, as outras duas pessoas que tinham ficado. Eu bobo, ainda perguntei sobre o Marcelo e a Nanda.
VII - Sossega Leão
A doce mistura entre álcool, horas de viagem e musiquinhas de luau a beira de piscina funcionou como um verdadeiro sossega leão para mim.
Nunca fui bom de cama, sempre tive insônia, era tipo uma hiperatividade noturna, se é que isso existe. Desde garoto nunca consegui deitar e dormir logo, sempre fui fã das pessoas que assim fazia. Quando coloco minha cabeça no travesseiro, começo a pensar em todos os assuntos possíveis, desde músicas, planos, sonhos e qualquer outras coisas. Nesse meio tempo eu sempre durmo, mas dessa vez logo que deitei, apaguei.
No quarto de segundo do fechar dos olhos me deparo com o que não passaria pela minha cabeça até aquele momento. Estava Juliana nadando na piscina, sem a parte de cima do biquíni. Fiquei quieto, urubuservando ela nadar de um lado para o outro. Como todos sabem, quem não arrisca não petisca, então lá fui eu com minha cara de madeira envernizada em direção a piscina da casa, no momento em que ela mergulhou. Não sou de preparar cantadas, sempre quando armo algum joguinho daqueles de perguntas e respostas sacanas, sempre recebo uma resposta que me deixa sem reação. Sendo assim, quando a guria submergiu (sempre quis usar esse termo) percebi que ela me olhou um pouco assustada. Tenho certeza que esse susto não foi pela minha presença, ou pela presença de alguém, afinal, ela sabia que por mais que fosse madrugada, a casa estava cheia. Na boa, aquela cara de assustada foi a reação da espera de minha atitude, o que esse cara vai fazer agora? Como disse, nunca fui de muita conversinha. Olhei nos olhos dela e falei: “Eae”. Acho que seria melhor eu ter pulado na piscina e agarrado ela do que ter feito isso. Seria obvio que a resposta dela seria um “blz?”. Assim como era óbvio o babaca perguntar se ela não estava com frio. E se estava, o gelo quebrou. Sentei logo na beira da piscina, com os pés pra dentro d’água, e ficamos ali conversando.
Fato que ninguém queria conversar nada ali, não durou muito tempo estava dentro da piscina com ela, assim como não durou muito tempo para rolar um primeiro beijo. Fiquei animado, mas não rolou nada do que vocês querem que eu diga. Não por minha incompetência, mas porque quando as coisas começaram a esquentar eu acordei.
Sabe aqueles lapsos momentâneos de razão que você tem durante o sono? Num desses tive a impressão de ser a única coisa apagada naquela casa. As vozes continuavam embaralhadas, dando a impressão de estarem dentro de meus ouvidos. Seria impossível algo me despertar durante aquele sono profundo. Creio que um tomahawk não teria o poder de me acordar, mas minha rinite sim!
Não sei se acordei com o nariz entupido ou entupindo, tinha a impressão de ter dormido a noite toda e acordar quebrado, mas fui ver no relógio e apenas uns quarenta minutos tinham passado desde que deitei. Minha primeira impressão era de que alguém estava cozinhando alguma coisa, talvez por isso tenha despertado fácil. Logo que me situei, percebi que continuava sozinho no quarto, e que com certeza, aquilo não era cheiro de comida. Ninguém estava com fome naquela hora, mas ficariam em alguns minutos.
Nunca fui bom de cama, sempre tive insônia, era tipo uma hiperatividade noturna, se é que isso existe. Desde garoto nunca consegui deitar e dormir logo, sempre fui fã das pessoas que assim fazia. Quando coloco minha cabeça no travesseiro, começo a pensar em todos os assuntos possíveis, desde músicas, planos, sonhos e qualquer outras coisas. Nesse meio tempo eu sempre durmo, mas dessa vez logo que deitei, apaguei.
No quarto de segundo do fechar dos olhos me deparo com o que não passaria pela minha cabeça até aquele momento. Estava Juliana nadando na piscina, sem a parte de cima do biquíni. Fiquei quieto, urubuservando ela nadar de um lado para o outro. Como todos sabem, quem não arrisca não petisca, então lá fui eu com minha cara de madeira envernizada em direção a piscina da casa, no momento em que ela mergulhou. Não sou de preparar cantadas, sempre quando armo algum joguinho daqueles de perguntas e respostas sacanas, sempre recebo uma resposta que me deixa sem reação. Sendo assim, quando a guria submergiu (sempre quis usar esse termo) percebi que ela me olhou um pouco assustada. Tenho certeza que esse susto não foi pela minha presença, ou pela presença de alguém, afinal, ela sabia que por mais que fosse madrugada, a casa estava cheia. Na boa, aquela cara de assustada foi a reação da espera de minha atitude, o que esse cara vai fazer agora? Como disse, nunca fui de muita conversinha. Olhei nos olhos dela e falei: “Eae”. Acho que seria melhor eu ter pulado na piscina e agarrado ela do que ter feito isso. Seria obvio que a resposta dela seria um “blz?”. Assim como era óbvio o babaca perguntar se ela não estava com frio. E se estava, o gelo quebrou. Sentei logo na beira da piscina, com os pés pra dentro d’água, e ficamos ali conversando.
Fato que ninguém queria conversar nada ali, não durou muito tempo estava dentro da piscina com ela, assim como não durou muito tempo para rolar um primeiro beijo. Fiquei animado, mas não rolou nada do que vocês querem que eu diga. Não por minha incompetência, mas porque quando as coisas começaram a esquentar eu acordei.
Sabe aqueles lapsos momentâneos de razão que você tem durante o sono? Num desses tive a impressão de ser a única coisa apagada naquela casa. As vozes continuavam embaralhadas, dando a impressão de estarem dentro de meus ouvidos. Seria impossível algo me despertar durante aquele sono profundo. Creio que um tomahawk não teria o poder de me acordar, mas minha rinite sim!
Não sei se acordei com o nariz entupido ou entupindo, tinha a impressão de ter dormido a noite toda e acordar quebrado, mas fui ver no relógio e apenas uns quarenta minutos tinham passado desde que deitei. Minha primeira impressão era de que alguém estava cozinhando alguma coisa, talvez por isso tenha despertado fácil. Logo que me situei, percebi que continuava sozinho no quarto, e que com certeza, aquilo não era cheiro de comida. Ninguém estava com fome naquela hora, mas ficariam em alguns minutos.
VI - Marley na Viola
Não entendi nada quando vi aquele moleque com um violão cheio de adesivos de banda. Porra, conheço esse cara tem quase dois meses, mas já conversamos sobre muita coisa, não sabia que ele tocava.
Também nunca toquei nesse assunto, mas é estranho. É como quando você descobre que um amigo tem a mesma tatuagem que você, ou o mesmo sobrenome, sei lá.
Neguinho colocou logo pilha, um sonoro “hummmm” por parte das meninas, e quase como um corinho dos cuecas “toca uma pra mim” foram as primeiras reações ao avistaram o bicho de seis cordas. Fiquei logo com vontade de pegar aquela porra e tocar umas musicas, mas rola sempre aquela desculpa de “to enferrujado” e também não queria fazer feio na frente daquelas garotas. O Ricardinho tocou algumas coisas lá, musiquinhas que tocam em toda churrascaria e a galera canta junto. Ele não era um grande instrumentista, quiçá um quebra galho. Aquilo estava legal! Até que uma certa hora, que já devidamente calibrado pelo bar, e pela continuidade do licor que não sei de que, peguei o violão quando o Ricardo acabou de tocar. A surpresa que tive quando vi esse cara tocando, foi a mesma que ele teve com minha atitude. Toquei algumas músicas que lembrava. A galera gostou quando toquei umas do Bob Marley. Depois de algumas musiquinhas, eu e Ricardo ficamos naquela de “vê se você conhece essa aqui”.
O pior é que mesmo nessa fase, ninguém foi dormir. Depois disso toquei mais algumas do Bob. A galera estava gostando, mas estavam com sono, Bob também não ajuda a manter ninguém acordado, mas essa não era a intenção. O que me chamou a atenção foi o fato da Juliana ficar o tempo todo rindo. Imaginei logo que se tratava de uma grande fã do rastaman, o que pude perceber ser um ledo engano, quando perguntei se ela gostava do Bob, e ela disse que não conhecia nenhuma música. Eu poderia falar que aquilo tudo que toquei era de minha autoria que ela iria acreditar perfeitamente. Nesse rolo aí, a Priscila, irmã do Ricardo, que todos conhecemos como Pri, brincou, falando que podíamos arrumar mais alguns e formarmos uma banda, mas que ela seria a empresária. O Gustavo levantou a mão falando que seria o baterista. Todo mundo olhou pra ele e a Pri perguntou se ele sabia tocar, ele disse que não, mas que o irmão dele tocava, e tinha uma bateria parada no terraço de casa. Brincamos falando que um cara que não tinha coordenação motora para dirigir aprenderia sim a tocar batera facilmente. Respondendo a Pri, o Ricardo até brincou, dizendo que primeiro precisávamos de fãs para apoiar, do que empresária pra nos ferrar.
Enquanto esse luau improvisado acontecia, rolou um climinha entre um carinha e uma garota da nossa galera, o Marcelo e a Fernanda. Não aconteceu nada, mas estava um se escorando no ombro do outro. Isso pra mim é porre ou mole, como ela não bebe, vou ficar com a segunda opção. Chegou uma hora que ninguém agüentava mais, apesar de estar bem legal, o sono era mais forte, no dia seguinte tinha mais.
Caí num quarto com o Marcelo e o Gustavo. Não tinha muita amizade com o Marcelo, não por nada, mais por falta de contato mesmo, ele nunca aparecia na faculdade nem nas nossas saídas, mas o Gustavo era meu amigo, e amigo de infância do Marcelo.
Fui para o quarto primeiro, eles ficaram conversando com o Ricardo e mais alguém eu acho, dava pra ouvir vozes do lado de fora da janela, mas não sabia de quem era, nem o que falavam.
Também nunca toquei nesse assunto, mas é estranho. É como quando você descobre que um amigo tem a mesma tatuagem que você, ou o mesmo sobrenome, sei lá.
Neguinho colocou logo pilha, um sonoro “hummmm” por parte das meninas, e quase como um corinho dos cuecas “toca uma pra mim” foram as primeiras reações ao avistaram o bicho de seis cordas. Fiquei logo com vontade de pegar aquela porra e tocar umas musicas, mas rola sempre aquela desculpa de “to enferrujado” e também não queria fazer feio na frente daquelas garotas. O Ricardinho tocou algumas coisas lá, musiquinhas que tocam em toda churrascaria e a galera canta junto. Ele não era um grande instrumentista, quiçá um quebra galho. Aquilo estava legal! Até que uma certa hora, que já devidamente calibrado pelo bar, e pela continuidade do licor que não sei de que, peguei o violão quando o Ricardo acabou de tocar. A surpresa que tive quando vi esse cara tocando, foi a mesma que ele teve com minha atitude. Toquei algumas músicas que lembrava. A galera gostou quando toquei umas do Bob Marley. Depois de algumas musiquinhas, eu e Ricardo ficamos naquela de “vê se você conhece essa aqui”.
O pior é que mesmo nessa fase, ninguém foi dormir. Depois disso toquei mais algumas do Bob. A galera estava gostando, mas estavam com sono, Bob também não ajuda a manter ninguém acordado, mas essa não era a intenção. O que me chamou a atenção foi o fato da Juliana ficar o tempo todo rindo. Imaginei logo que se tratava de uma grande fã do rastaman, o que pude perceber ser um ledo engano, quando perguntei se ela gostava do Bob, e ela disse que não conhecia nenhuma música. Eu poderia falar que aquilo tudo que toquei era de minha autoria que ela iria acreditar perfeitamente. Nesse rolo aí, a Priscila, irmã do Ricardo, que todos conhecemos como Pri, brincou, falando que podíamos arrumar mais alguns e formarmos uma banda, mas que ela seria a empresária. O Gustavo levantou a mão falando que seria o baterista. Todo mundo olhou pra ele e a Pri perguntou se ele sabia tocar, ele disse que não, mas que o irmão dele tocava, e tinha uma bateria parada no terraço de casa. Brincamos falando que um cara que não tinha coordenação motora para dirigir aprenderia sim a tocar batera facilmente. Respondendo a Pri, o Ricardo até brincou, dizendo que primeiro precisávamos de fãs para apoiar, do que empresária pra nos ferrar.
Enquanto esse luau improvisado acontecia, rolou um climinha entre um carinha e uma garota da nossa galera, o Marcelo e a Fernanda. Não aconteceu nada, mas estava um se escorando no ombro do outro. Isso pra mim é porre ou mole, como ela não bebe, vou ficar com a segunda opção. Chegou uma hora que ninguém agüentava mais, apesar de estar bem legal, o sono era mais forte, no dia seguinte tinha mais.
Caí num quarto com o Marcelo e o Gustavo. Não tinha muita amizade com o Marcelo, não por nada, mais por falta de contato mesmo, ele nunca aparecia na faculdade nem nas nossas saídas, mas o Gustavo era meu amigo, e amigo de infância do Marcelo.
Fui para o quarto primeiro, eles ficaram conversando com o Ricardo e mais alguém eu acho, dava pra ouvir vozes do lado de fora da janela, mas não sabia de quem era, nem o que falavam.
V - Paraíso nuclear
Foda-se! Chame do que quiser! Se eu lhe pareço um playboy, não renegarei nada que tenho para te agradar. Pensei assim e assim continuei. Nunca fui rico, mas também nunca andei com roupa rasgada. Assim como na música, não tenho preconceitos em minhas amizades. Em todos os lugares existe gente boa, e me considerando gente boa, faço amizade rápido. Logo nas primeiras semanas a galera se enturmou, todos pareciam amigos de longa data. Passados um mês e pouquinho do inicio de nossa vida acadêmica, um da galera, dono de uma suntuosa, para não falar puta casa em Angra dos Reis, deu a idéia de passar o carnaval, uns deram pra trás, mas uma boa galera partiu em direção ao paraíso mais nuclear do mundo. Foram quatorze pessoas para a casa, a diversão parecia garantida. Nesse bolo tinha nove meninas e cinco caras. Sendo uma delas namorada do dono e a outra irmã do dono, de resto futuros dentistas. Ninguém fazia nada da vida, e a trip começou na quinta feira mesmo. Não sou aquele cara egoísta, mas não vejo também porque escutar músicas que não gosto só para agradar os outros, fui no meu carro escutando uns rocks antigos, nada de estrondoso, as musicas mais maneiras que conheço, se eu tivesse com um grupo de coroas importados de woodstock, com certeza seriam meus primeiros fãs. Anyway, só uma menina que estava no carro, a Juliana gostava daquilo, então pra não estragar a viagem de ninguém, coloquei algo mais relax, que fosse um consenso entre todos os tímpanos daquele carro. Chegamos no final da tarde e já saímos para beber, sem sequer arrumarmos nossas tralhas. Bebericamos por um barzinho que o Ricardo, dono da casa, falava desde que nasceu. A propaganda que ele fazia daquele lugar era intensa, confesso que não vi nada demais. Foi maneiro, mas não vi nada demais. Estávamos cansados da viagem e já era tarde, resolvemos voltar pra casa, ainda tínhamos que arrumar as coisas. Voltando pra casa, a preguiça imperou, cada um tomou seu banho, ficamos algum tempo na beira da piscina conversando sobre qualquer coisa que vinha em mente. Nesse meio tempo o Ricardo, que por sinal sempre foi o mais junkie, entrou na casa e voltou com um violão em uma das mãos, e na outra uma garrafa de um licor não lembro de que, com uns três copos, um dentro do outro, balançando no gargalo.
IV - O mágico de OZ
Nesse momento você percebe que toda aquela liberdade e malandragem que você achava ter durante sua aborrecencia serviram apenas de estágio para o que estava por vir. Na época de colégio você se achava malandro naquelas quatro horas e pouco em que você ficava sob a torre de vigilância de seus professores e inspetores. Ninguém tinha carro, ninguém tinha vício, nas férias ninguém se encontrava e todos tinham no máximo seus dezoito aninhos.
Lembra daquele filme O mágico de OZ? Porra nenhuma né? É velho pra caramba.
Não sou cinéfilo, só assisti enquanto rolava o The dark side of the moon, após o terceiro rugido do leão da MGM, só para confirmar a lenda. Então, nesse filme aí acontece uma coisa parecida com a sua entrada na faculdade. Até a metade do filme tudo é em preto e branco, quando chega na metade, o filme fica colorido. Assiste que você vai entender.
Quando você entra na faculdade, tudo muda. Só o fato de você se vestir como quiser ou poder sair pra ir ao banheiro sem pedir para o professor te faz até ter vontade de voltar no dia seguinte. Ninguém ali conhece ninguém, mas no primeiro final de semana você já estará em um bar, enchendo a cara de cerveja com seus novos amigos totalmente diferentes do perfil de amigos que você conhece. Você está conhecendo gente nova, de lugares diferentes, com culturas e gostos diferentes. Isso é ideal para desgastar amizades antigas e namoros de colégio. Sim, aquelas são as melhores, mais engraçadas e companheiras pessoas que você poderia conhecer. Surgem amizades naquele meio, de pessoas que vão desde praticantes amadores de asa delta, até playboy’s que rodaram o mundo antes de tomarem um rumo na vida. Pensei em cursar música, mas pela minha experiência naquele cursinho bisonho, vi que não seria legal, e nessa altura do campeonato, o sonho de uma carreira no mundo musical seria tão viável quanto ser um jogador de futebol. Não sei porque, talvez por simpatia fui cursar odonto. O Vestibular é muito tenso, hard, deixa muita gente louca. Eu como não queria ficar maluco ainda, fui para uma particular, aproveitando a época das vacas gordas lá em casa, fui para uma faculdade de renome, com fama entre os barbudos fãns de marx das públicas de ser um antro de playboy’s.
Lembra daquele filme O mágico de OZ? Porra nenhuma né? É velho pra caramba.
Não sou cinéfilo, só assisti enquanto rolava o The dark side of the moon, após o terceiro rugido do leão da MGM, só para confirmar a lenda. Então, nesse filme aí acontece uma coisa parecida com a sua entrada na faculdade. Até a metade do filme tudo é em preto e branco, quando chega na metade, o filme fica colorido. Assiste que você vai entender.
Quando você entra na faculdade, tudo muda. Só o fato de você se vestir como quiser ou poder sair pra ir ao banheiro sem pedir para o professor te faz até ter vontade de voltar no dia seguinte. Ninguém ali conhece ninguém, mas no primeiro final de semana você já estará em um bar, enchendo a cara de cerveja com seus novos amigos totalmente diferentes do perfil de amigos que você conhece. Você está conhecendo gente nova, de lugares diferentes, com culturas e gostos diferentes. Isso é ideal para desgastar amizades antigas e namoros de colégio. Sim, aquelas são as melhores, mais engraçadas e companheiras pessoas que você poderia conhecer. Surgem amizades naquele meio, de pessoas que vão desde praticantes amadores de asa delta, até playboy’s que rodaram o mundo antes de tomarem um rumo na vida. Pensei em cursar música, mas pela minha experiência naquele cursinho bisonho, vi que não seria legal, e nessa altura do campeonato, o sonho de uma carreira no mundo musical seria tão viável quanto ser um jogador de futebol. Não sei porque, talvez por simpatia fui cursar odonto. O Vestibular é muito tenso, hard, deixa muita gente louca. Eu como não queria ficar maluco ainda, fui para uma particular, aproveitando a época das vacas gordas lá em casa, fui para uma faculdade de renome, com fama entre os barbudos fãns de marx das públicas de ser um antro de playboy’s.
III - O Primeiro Vício
Meu pai sempre teve uma expressão para quando as coisas vão errado, que diz: “Urubu quando está com azar, o debaixo caga no de cima.”
É fato, mas também não podemos negar que quando as coisas estão para dar certo, tudo acontece bem. Eu que sempre fora preguiçoso, vagabundo e sem força de vontade, tinha uma professora de violão engraçada, paciente, perto e que por ser em uma igreja, cobrava uma mensalidade tão irrisória que eu até deixava de pagar. A lua foi trocando de fases. Lá comecei a aprender, não com ela, mas com outros colegas, solinhos de bandas de rock, que soavam como desafios para meus lerdos dedos. Pronto, estava eu viciado na música, mais do que nunca viciado naquilo que quase acabaria comigo.
Com toda indisciplina inerente a mim, aprendi a tocar bem. Queria me aprofundar naquilo e fui fazer um curso profissionalizante em uma escola gabaritada. Partituras passariam a ser minha vida. Minha vida foi das partituras e teorias musicais, durante umas três semanas, num curso que estava previsto para quatro anos. Que saco! Larguei os estudos em três semanas. Concluí o semestre nas coxas. Não aceitava o fato de uma escola de música te entupir de teoria sem deixar você encostar em um instrumento.
Namastê pra vocês. Vou levar isso como uma grande brincadeira de final de tarde, ou final de semana. Pegar o violão que se transformou em guitarra só para tocar as musiquinhas que gosto. Foi assim, na normalidade anormal de uma juventude em que você começa a sair para lugares que em alguns anos terá vergonha de ter freqüentado, tomar porres que daqui a alguns anos terá vergonha de ter tomado, vestir roupas que daqui a alguns anos terá vergonha de ter vestido e comer garotas que daqui a alguns anos terá vergonha de ter comido tão rápido. Fui levando assim, essa época de segundo grau. Passou o tempo, trocara o ano e tudo iria mudar.
Faculdade, chegou a famosa era do “você está virando gente”.
É fato, mas também não podemos negar que quando as coisas estão para dar certo, tudo acontece bem. Eu que sempre fora preguiçoso, vagabundo e sem força de vontade, tinha uma professora de violão engraçada, paciente, perto e que por ser em uma igreja, cobrava uma mensalidade tão irrisória que eu até deixava de pagar. A lua foi trocando de fases. Lá comecei a aprender, não com ela, mas com outros colegas, solinhos de bandas de rock, que soavam como desafios para meus lerdos dedos. Pronto, estava eu viciado na música, mais do que nunca viciado naquilo que quase acabaria comigo.
Com toda indisciplina inerente a mim, aprendi a tocar bem. Queria me aprofundar naquilo e fui fazer um curso profissionalizante em uma escola gabaritada. Partituras passariam a ser minha vida. Minha vida foi das partituras e teorias musicais, durante umas três semanas, num curso que estava previsto para quatro anos. Que saco! Larguei os estudos em três semanas. Concluí o semestre nas coxas. Não aceitava o fato de uma escola de música te entupir de teoria sem deixar você encostar em um instrumento.
Namastê pra vocês. Vou levar isso como uma grande brincadeira de final de tarde, ou final de semana. Pegar o violão que se transformou em guitarra só para tocar as musiquinhas que gosto. Foi assim, na normalidade anormal de uma juventude em que você começa a sair para lugares que em alguns anos terá vergonha de ter freqüentado, tomar porres que daqui a alguns anos terá vergonha de ter tomado, vestir roupas que daqui a alguns anos terá vergonha de ter vestido e comer garotas que daqui a alguns anos terá vergonha de ter comido tão rápido. Fui levando assim, essa época de segundo grau. Passou o tempo, trocara o ano e tudo iria mudar.
Faculdade, chegou a famosa era do “você está virando gente”.
II - O Flerte
Sempre tive uma queda pela música. Apesar de escutar muito lixo quando era mais novo, isso é um fato que não posso negar. Minha primeira referência de música foi uma banda de rock dos anos 80. Depois cresci ouvindo pagode, afinal era moda, mas o que importa era que eu gostava disso na época. Não tinha influência musical dos meus pais, eles nunca se ligaram em “nomes de músicas”. Tenho a sorte de ser curioso e ir atrás de algo que escute e goste. Isso me levou a escutar de tudo um pouco, mas não foi bem por aí que minha cultura “sonora” começou. Certa vez o grande amigo que conheci na primeira comunhão e tenho até hoje ganhou um cavaquinho de presente. Ele não sabia tocar aquele treco e nem nunca aprendeu, deu aquilo pro primo uns meses depois. Ele também tinha um tam tam, um tamborzinho de pagode pra quem não sabe. Desde sempre meu pai teve um pandeiro, apesar de não saber tocar muito bem, então, naquele empolgação de garotada, comprei um outro instrumento lá, juntamos outros amigos e ficávamos batucando na rua mesmo, pois na casa de qualquer um era impossível, devido a qualidade musical do grupo. Não tínhamos nem nome, nem música, nem cantor, mas essa foi a primeira vez que fiz musica. Logo aquilo passou. Outro grande amigo em comum, ganhou uma vez um computador. Nessa época, ninguém, pelo menos da nossa galera tinha visto um. Nas vezes que ia na casa dele para me aventurar na internet, ele ficava me mostrando musicas e clips que havia baixado de uma banda que eu já tinha escutado falar e só conhecia uma música. Essa banda era o Guns N’ Roses. Como falei, nunca fui preconceituoso com música, não tinha e nem tenho um estilo, escuto um determinado segmento, mas quando ouço algo que agrade meus ouvidos, passo a gostar e me interessar por aquilo e pelo que influenciou aquilo, formando uma grande bola de neve musical. Cada vez que esse cara me mostrava uma música do guns, ele perguntava: “lembra dessa música?” E eu lembrava. Fui levando aquilo pra casa, em cd’s piratas, junto com outras coisas como aerosmith. A partir daí, não vou dizer que fui bombardeado pelo rock, mas comecei a dar atenção aos bombardeios que vinha sofrendo. Tinha um vizinho de parede que todo final de semana escutava várias músicas legais, e encerrava suas audições com a que eu chamava de “a musica do tio Milton”. Depois fui saber que a sonzeira tida religiosamente como a última musica antes de ir dormir após ficar em casa bebendo rum, se chamava sultans of swing.
Pedi o disco emprestado e copiei para mim. Isso foi mais ou menos na mesma época que comecei a tocar violão, acho que um pouco depois de ter iniciado minhas aulas.
Meus sempre tocaram muito violão e na mesma proporção bebiam. Eles sempre foram de seresta, tocar em bares em troca de cerveja, uns boêmios na melhor definição da palavra. Um tocava, bebia e ia dormir, enquanto o outro sempre foi tipo uma Amy Winehouse, talentoso, porém quizumbeiro.
Anos de álcool, madrugas e violões não fazem bem a um ser humano, que dirá uma família. Isso levou a síndrome do pânico e consequentemente a uma bizarra separação da esposa e fazendo que suas filhas ficassem do lado da mãe. Em qualquer idade isso é barra, do nada você olha pra si e vê um cara sem casa, carro, cachorro. Talvez foi essa falta de perspectiva que trilhou caminhos e terminou em uma tentativa de suicídio. Algumas semanas depois do envenenamento fracassado, lá estava esse tio junkie em minha casa. Ele era chato, mas gente boa, se é que existe essa possibilidade. Quando ele arrumou um canto e saiu da minha “jurisdição” não pode levar tudo o que tinha. Deixou algumas malas de roupas e um violão. Maneiro o violão que ficou lá. Tinha vindo do Japão, esse tio Winehouse, morou uns tempos por lá pra levantar uma grana, e trouxe esse Yamaha CG 170 SA. Já tinha de épocas remotas, vontade de tocar. Mas não sei pelo fato de não ter paciência de aprender ou de ninguém ter paciência pra ensinar, isso foi passando, e acabei vendendo um violão velho que tinha em casa, pra uma coroa que ensinava violão em uma igreja vizinha.
Com esse violão que meu tio deixou em casa encostado, uma vez eu estava assistindo televisão e vi um cara tocando uma música, isso é bem vago em minha mente, não sei quem era, não sei que música era, não sei de nada. Sei que gostei daquilo e decidi aprender a tocar.
Alguns amigos faziam aula com essa senhora que ensinava na igreja do lado da minha casa, falei com eles, falei com ela e comecei.
Pedi o disco emprestado e copiei para mim. Isso foi mais ou menos na mesma época que comecei a tocar violão, acho que um pouco depois de ter iniciado minhas aulas.
Meus sempre tocaram muito violão e na mesma proporção bebiam. Eles sempre foram de seresta, tocar em bares em troca de cerveja, uns boêmios na melhor definição da palavra. Um tocava, bebia e ia dormir, enquanto o outro sempre foi tipo uma Amy Winehouse, talentoso, porém quizumbeiro.
Anos de álcool, madrugas e violões não fazem bem a um ser humano, que dirá uma família. Isso levou a síndrome do pânico e consequentemente a uma bizarra separação da esposa e fazendo que suas filhas ficassem do lado da mãe. Em qualquer idade isso é barra, do nada você olha pra si e vê um cara sem casa, carro, cachorro. Talvez foi essa falta de perspectiva que trilhou caminhos e terminou em uma tentativa de suicídio. Algumas semanas depois do envenenamento fracassado, lá estava esse tio junkie em minha casa. Ele era chato, mas gente boa, se é que existe essa possibilidade. Quando ele arrumou um canto e saiu da minha “jurisdição” não pode levar tudo o que tinha. Deixou algumas malas de roupas e um violão. Maneiro o violão que ficou lá. Tinha vindo do Japão, esse tio Winehouse, morou uns tempos por lá pra levantar uma grana, e trouxe esse Yamaha CG 170 SA. Já tinha de épocas remotas, vontade de tocar. Mas não sei pelo fato de não ter paciência de aprender ou de ninguém ter paciência pra ensinar, isso foi passando, e acabei vendendo um violão velho que tinha em casa, pra uma coroa que ensinava violão em uma igreja vizinha.
Com esse violão que meu tio deixou em casa encostado, uma vez eu estava assistindo televisão e vi um cara tocando uma música, isso é bem vago em minha mente, não sei quem era, não sei que música era, não sei de nada. Sei que gostei daquilo e decidi aprender a tocar.
Alguns amigos faziam aula com essa senhora que ensinava na igreja do lado da minha casa, falei com eles, falei com ela e comecei.
I - Liberdade
Nunca fui uma criança triste, tipo aquelas que vi crescendo ao meu lado. Aliás, não considero aquelas crianças tristes.
O que quero dizer é que nunca fui daqueles moleques que apanhavam por qualquer coisa, ficavam de castigo ou presos em casa por não estudar. Esse ponto de estudar sempre foi algo marcante em minha vida. A volatilidade entre a serenidade do início de um ano letivo e a tensão de uma visita dos meus pais ao colégio. Me sinto as vezes gabaritado a ser um mestre maçom para guardar segredos, pelo treino que tive ao esconder meus boletins.
Mesmo sabendo que não estou me dirigindo a nenhuma criança ou adolescente que ainda seja influenciável, aviso que não é uma dica, pois nunca fui, e espero não ser exemplo para ninguém, eu nunca estudei e sempre passei de ano. É que sempre achei uma teoria (para não dizer desculpa) para meus atos, e nesse caso, para meu pensar, ser culto e poder conversar sobre qualquer assunto, com qualquer pessoa era e continua sendo muito mais inteligente do que decorar a fórmula de baskara.
Não que ter a formula de baskara decorada seja inútil. Eu mesmo decorei, foi fácil, como um número de telefone. Só que nunca soube como usar e pra que servia, afinal, pra que perder meu tempo estudando isso tudo se alguém sempre me passava um papel com a resposta? Assim se resume minha vida escolar com relação as exatas.
Voltando ao que interessa, sempre fui de fazer minhas artes, que por sinal eram muitíssimo planejadas, pois tinha mais medo de tomar um esporro do meu pai do que de apanhar.
Sabe aquele garoto que para soltar uma bomba, fazia um pavio gigantesco só para dar tempo de correr, e quando aquilo explodisse, estar bem longe e fazer cara de assustado e ainda apoiar quem reclamava do barulho? Então, esse carinha era eu.
Achava mais divertido o pré e o pós-”M” do que a própria em si.
Também era o organizador de tudo, desde o futebol até os campeonatos de ping-pong, que por sinal eram bem organizado. Não tinha paciência para esperar um ônibus, mas ficava prazerosamente escondido por horas só para dar um susto em alguém. Resumindo: Sempre fui um garoto fdp, mas se é que existe, um fdp do bem. Fazia minhas sacanagens mas nunca prejudiquei ninguém. Existia na minha época uma espécie de criança (talvez fabricada em linha de montagem) que os pais matriculavam em aulas de natação, judô, futebol, caratê, cuspe à distância, e ficam tirando fotos e filmando competições, juntando a família num domingo de manhã no clube para cantarem musiquinhas do tipo “zum zum zum, passou um avião” com o nome do corninho só para incentivar o moleque a nadar melhor ou meter um gol.
Enquanto isso por dentro o carinha está cheio de vergonha, preocupado em fazer bonito e doido para mandar todo mundo sifu. Esse que vos fala, aliás, vos escreve, aliás, eu! Fica melhor escrever de uma maneira que todos entendam, já que não sou escritor, não repare em nada ta? Como vinha dizendo, eu às vezes também tive esses momentos em minha infância e adolescência, de entrar em vários cursinhos e escolinhas, religiosamente sempre saindo com no máximo poucas fases da lua trocadas. Isso foi um ponto legal, pois sempre tive liberdade e nunca fui obrigado a nada. Tanto que me surpreendo até hoje como consegui cursar a catequese e fazer minha primeira comunhão, mas eu era novo e lá tinha pessoas legais. Entre elas um grande amigo que tenho até hoje e que indiretamente, por que não diretamente foi responsável por muita coisa, inclusive este livro. Mas daqui a pouco falo dele. Tentando fazer um contraponto com minha idade, acho que ao invés de seguir a ordem natural das coisas (coisa que nunca fiz) como as pessoas com seus trinta e poucos / quarenta querem tranquilidade e descanso, eu queria isso com meus dez / quinze. Acho que isso fez acumular em mim uma carga perigosa de alguma substância, algum hormônio, sei lá, algo que no futuro me faria correr atrás de satisfação, me conduzindo na busca de endorfina, dopamina, adrenalina, menina e outras coisas terminadas em “ina”.
O que quero dizer é que nunca fui daqueles moleques que apanhavam por qualquer coisa, ficavam de castigo ou presos em casa por não estudar. Esse ponto de estudar sempre foi algo marcante em minha vida. A volatilidade entre a serenidade do início de um ano letivo e a tensão de uma visita dos meus pais ao colégio. Me sinto as vezes gabaritado a ser um mestre maçom para guardar segredos, pelo treino que tive ao esconder meus boletins.
Mesmo sabendo que não estou me dirigindo a nenhuma criança ou adolescente que ainda seja influenciável, aviso que não é uma dica, pois nunca fui, e espero não ser exemplo para ninguém, eu nunca estudei e sempre passei de ano. É que sempre achei uma teoria (para não dizer desculpa) para meus atos, e nesse caso, para meu pensar, ser culto e poder conversar sobre qualquer assunto, com qualquer pessoa era e continua sendo muito mais inteligente do que decorar a fórmula de baskara.
Não que ter a formula de baskara decorada seja inútil. Eu mesmo decorei, foi fácil, como um número de telefone. Só que nunca soube como usar e pra que servia, afinal, pra que perder meu tempo estudando isso tudo se alguém sempre me passava um papel com a resposta? Assim se resume minha vida escolar com relação as exatas.
Voltando ao que interessa, sempre fui de fazer minhas artes, que por sinal eram muitíssimo planejadas, pois tinha mais medo de tomar um esporro do meu pai do que de apanhar.
Sabe aquele garoto que para soltar uma bomba, fazia um pavio gigantesco só para dar tempo de correr, e quando aquilo explodisse, estar bem longe e fazer cara de assustado e ainda apoiar quem reclamava do barulho? Então, esse carinha era eu.
Achava mais divertido o pré e o pós-”M” do que a própria em si.
Também era o organizador de tudo, desde o futebol até os campeonatos de ping-pong, que por sinal eram bem organizado. Não tinha paciência para esperar um ônibus, mas ficava prazerosamente escondido por horas só para dar um susto em alguém. Resumindo: Sempre fui um garoto fdp, mas se é que existe, um fdp do bem. Fazia minhas sacanagens mas nunca prejudiquei ninguém. Existia na minha época uma espécie de criança (talvez fabricada em linha de montagem) que os pais matriculavam em aulas de natação, judô, futebol, caratê, cuspe à distância, e ficam tirando fotos e filmando competições, juntando a família num domingo de manhã no clube para cantarem musiquinhas do tipo “zum zum zum, passou um avião” com o nome do corninho só para incentivar o moleque a nadar melhor ou meter um gol.
Enquanto isso por dentro o carinha está cheio de vergonha, preocupado em fazer bonito e doido para mandar todo mundo sifu. Esse que vos fala, aliás, vos escreve, aliás, eu! Fica melhor escrever de uma maneira que todos entendam, já que não sou escritor, não repare em nada ta? Como vinha dizendo, eu às vezes também tive esses momentos em minha infância e adolescência, de entrar em vários cursinhos e escolinhas, religiosamente sempre saindo com no máximo poucas fases da lua trocadas. Isso foi um ponto legal, pois sempre tive liberdade e nunca fui obrigado a nada. Tanto que me surpreendo até hoje como consegui cursar a catequese e fazer minha primeira comunhão, mas eu era novo e lá tinha pessoas legais. Entre elas um grande amigo que tenho até hoje e que indiretamente, por que não diretamente foi responsável por muita coisa, inclusive este livro. Mas daqui a pouco falo dele. Tentando fazer um contraponto com minha idade, acho que ao invés de seguir a ordem natural das coisas (coisa que nunca fiz) como as pessoas com seus trinta e poucos / quarenta querem tranquilidade e descanso, eu queria isso com meus dez / quinze. Acho que isso fez acumular em mim uma carga perigosa de alguma substância, algum hormônio, sei lá, algo que no futuro me faria correr atrás de satisfação, me conduzindo na busca de endorfina, dopamina, adrenalina, menina e outras coisas terminadas em “ina”.
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