V - Paraíso nuclear
Foda-se! Chame do que quiser! Se eu lhe pareço um playboy, não renegarei nada que tenho para te agradar. Pensei assim e assim continuei. Nunca fui rico, mas também nunca andei com roupa rasgada. Assim como na música, não tenho preconceitos em minhas amizades. Em todos os lugares existe gente boa, e me considerando gente boa, faço amizade rápido. Logo nas primeiras semanas a galera se enturmou, todos pareciam amigos de longa data. Passados um mês e pouquinho do inicio de nossa vida acadêmica, um da galera, dono de uma suntuosa, para não falar puta casa em Angra dos Reis, deu a idéia de passar o carnaval, uns deram pra trás, mas uma boa galera partiu em direção ao paraíso mais nuclear do mundo. Foram quatorze pessoas para a casa, a diversão parecia garantida. Nesse bolo tinha nove meninas e cinco caras. Sendo uma delas namorada do dono e a outra irmã do dono, de resto futuros dentistas. Ninguém fazia nada da vida, e a trip começou na quinta feira mesmo. Não sou aquele cara egoísta, mas não vejo também porque escutar músicas que não gosto só para agradar os outros, fui no meu carro escutando uns rocks antigos, nada de estrondoso, as musicas mais maneiras que conheço, se eu tivesse com um grupo de coroas importados de woodstock, com certeza seriam meus primeiros fãs. Anyway, só uma menina que estava no carro, a Juliana gostava daquilo, então pra não estragar a viagem de ninguém, coloquei algo mais relax, que fosse um consenso entre todos os tímpanos daquele carro. Chegamos no final da tarde e já saímos para beber, sem sequer arrumarmos nossas tralhas. Bebericamos por um barzinho que o Ricardo, dono da casa, falava desde que nasceu. A propaganda que ele fazia daquele lugar era intensa, confesso que não vi nada demais. Foi maneiro, mas não vi nada demais. Estávamos cansados da viagem e já era tarde, resolvemos voltar pra casa, ainda tínhamos que arrumar as coisas. Voltando pra casa, a preguiça imperou, cada um tomou seu banho, ficamos algum tempo na beira da piscina conversando sobre qualquer coisa que vinha em mente. Nesse meio tempo o Ricardo, que por sinal sempre foi o mais junkie, entrou na casa e voltou com um violão em uma das mãos, e na outra uma garrafa de um licor não lembro de que, com uns três copos, um dentro do outro, balançando no gargalo.